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domingo, 7 de março de 2010

Traição do Sol


Desejava que não tivesse de dormir, pelo menos não ontem, pois não queria que o domingo chegasse mas isso seria utópico demais, então antes de me deitar desejei que o sol tirasse mais um dia de folga e que deixasse que as nuvens chorassem mais um pouco.

Morpheu veio e me carregou em seus braços, mas o traidor me tocou já bem cedo e disse que vinha clarear o dia, o sol maldito quis trabalhar e quem chorou fui eu. Primeiro por dentro e de raiva dele que já andava sem nenhuma moral comigo, por não brilhar pra mim como brilha pra todos ou pelo menos é assim que o ditado diz que deveria ser, e segundo porque levaria o amor de perto de mim e a morte se aproximaria dos meus pensamentos.

E assim não demorou que ela viesse e se aproximasse de mim, as canções do rock a evocaram pra dentro de mim, me fazendo brigar comigo e as verdades molhavam meus olhos com a dor de seus golpes, até que o amor tocou meus lábios e me chamou pra perto e me abrigou em seu peito, Morpheu se aliou ao sol contra mim e queria carregá-lo, mas a fome que me vem me assombrando estes tempos, foi generosa e venceu o sono e num instante o amor se pôs e pé e a alegria do alívio de que o domingo não mais o levaria de mim iluminava meu mundo e afastava a morte.

Uma música trouxe a nuvem pra cima de mim, e do outro lado da linha o domingo se anunciava confirmando que vinha levá-lo de mim como o combinado, meu coração contrariado nada pode fazer a não sr lamentar e a nuvem pesando cada vez mais indicava que iríamos chorar, mas antes que o fizéssemos saltei para fora, precisava estar longe quando desaguasse.

O amor ficou sem entender o motivo da pressa e eu não seria capaz de responder, qualquer esforço me faria transbordar, dei as costas no mesmo instante em que a primeira lágrima caiu e com ela veio uma enxurrada que em vão eu enxugava e com a esperança de que ele se apercebesse do gesto e visse como eu sofria aquele afastamento.

O domingo não foi o vilão da história, tão pouco o sol ou Morpheu, mas eu precisava do amor neste dia, pois nos últimos dias só o pude ver, mas com ele eu não pude viver. Estar diante do amor não é suficiente, é preciso ter tempo pra deixar que suas mãos me toquem sem a pressa de dormir, ou de acordar, é preciso degustar seu cheiro e amolecer no seu olhar depois de gargalhar ao som das bobagens pronunciáveis somente a dois.

E não foi hoje que eu o pude viver novamente e justo hoje que precisava dele pra afastar a morte de mim, e por maior esforço que ele o tenha demonstrado a hora já avança e um encontro agora só seria uma repetição do que nossos dias tem sido e assim meu caminho será o de minha casa para minha solidão.