Porque tentar me conhecer através de textos que foram escritos por alguém que já não sou?
Escrevo pra expurgar minhas dores, pra vestir de sentimentos nunca existentes as palavras dos personagens que me fiz viver. Escrevo pra gritar minhas indignações, para arrotar meus discursos, vomitar minhas desgraças, e sobretudo escrevo pra falar de amores.
Se por alguns instantes desconsiderar que meus textos tratam de histórias de minha vida, vai perceber o quanto eles são belos em seus corpos esculturados pelo meu verbo, pelas expressões de dor, agonia, paixões descritos de forma tão palpável por mim, e vai perceber que sou mesmo é uma bela de uma contadora de histórias, que serei uma excelente escritora um dia, pela força e propriedade com que uso palavras para dar ao meu leitor a ideia real do que quero que acredite ao ler meus textos. A arte de enganar, dissimular, fantasiar através da escrita se faz muito eficaz através de minhas mãos, e eu principal leitora de mim mesma precisava crer nas histórias que contava e que pensava viver.
E desde o dia 20 de Setembro que toda a força e destreza na arte de escrever sobre amores se esvaio de mim como se jamais tivesse escrito textos sobre o tema, só então percebi que jamais tinha escrito mesmo, jamais tinha escrito sobre O MEU AMOR, pois eu nunca o tinha vivido antes, nunca aprendi a dizer do amor verdadeiro, do amor que era meu de destino, do amor que ama simples, do amor sem a dor, eu não conhecia você. Não poderia escrever sobre o que nunca conheci em verdade, só conhecia do amor o que lia nos livros, do que via em filmes e do que minha mente fantasiava.
Só agora começo a escrever timidamente algumas palavras que talvez com muito esforço eu consiga traduzir o que somos, e sobre O MEU AMOR , a escassez de minhas palavras se deve a minha ignorância em traduzir fielmente a riqueza que é amar, o que me torna uma iniciante e tudo que eu escrever daqui por diante sobre amor é o que terá importância em minha irrisória literatura, pois só agora estou descobrindo o que é amar, amando você Lucas.




















