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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nada a escrever

Há dias em que sinto vontade de dizer tantas coisas, mas ainda assim não quero escrever sobre elas, como se certas palavras e discursos só servissem pra serem ditos pela voz e não apenas pelo verbo, ou para serem escutados pelo coração e lidos apenas pelos olhos e se assim não for vira só arte, poesia perdida, sentimento ganha peso de notificação.
Não é sempre que é assim, tem horas em que a emoção só pode ser dita pelo verbo escrito e que já transborda tanto que as palavras valem pelo olhar e pelos pensamentos daquele que lê, sentimento neste caso ganha peso de mensagem resgatada em garrafa no mar, a última forma, a última opção de declarar.
Mas hoje estou com o primeiro parágrafo, o que tenho a dizer está aguardando seu ouvinte, e não pode ser dito aqui, ou ali, visto que já foi sofreguidão, sentimento e solidão, agora foi pensado, repensado, avaliado e agora toma forma de cuidado, pois já colheu como fruto desolação, ruptura e separação, no momento faz até rima, mas foi só travessura de meu coração.
Não hoje não vou escrever, parece que já estou escrevendo, mas não é verdade, hoje eu só quero falar, controlar a ansiedade e esperar.
Por isso hoje se você me ler, vai encontrar este post sem que nada eu tenha a escrever.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ela

Ela acorda de uma semana sem obrigações, muita preguiça e surpresas ao coração, um fim de semana cheio e seus pensamentos misturados, sensações, dúvidas que giram, giram, e giram sem parar... faz um resumo e rápida analise do que se passou...
Sexta -feira chegou e anunciou a alegria, como se tudo contribuísse pra que a felicidade chegue nas mãos dela como se fosse uma bela surpresa...um pouco de alguma substância alcoólica, um olhar fresco para aceitar o que vier e tudo parece lindo e colorido numa noite que se estende pela madrugada... amor no escuro...um bom dia diferente, sorrisos e o tocar do sol em sua pele anunciando um sábado melhor ainda...mas ...imprevistos frustram seus planos, e ela não pode desistir, tem de buscar a felicidade e o fim de semana ainda não acabou...make de revista, vestido de renda, jaqueta estilosa, sapato colorido, o nariz levantado e uma frase no peito dizendo " queria que ele me visse assim tão linda!", mas ele não estava ali! E sempre foi assim, sempre estava quando não se esperava e nunca quando a expectativa era grande ... independente, poderosa, ela vai sair só na noite e arriscar o que de belo ela pode trazer...encontros, festa, música e som de risos no ar, e ela dança, dança ...dança sem parar...feliz só por poder dançar...encontra um par para ela continuar a dançar, desejo, beijo ... amanhece e a luz se encarrega de trazer o novo olhar para que ela se encante com a nova persona de seu par com seus olhos de água com açúcar caramelado, despedida, promessa ...casa, feijão e sono a derrubar...Domingo já nasceu e todo o vegetar de costume...cama, net, sono, comida e divagações, muitas divagações, mas sem esquecer das resenhas, risos e mais resenhas...surpresa , ligação e mensagem, promessa cumprida e ...mais divagações...
Nada está definido ou organizado...as configurações tomam corpo lentamente e ela ainda não sabe se é capaz de ver que forma ela assumirá....mas hoje é segunda-feira, o dia de assumir, de organizar, e assim como as milhões de pessoas que acordaram hoje, ela está determinada a dizer que "a partir de hoje" tudo será diferente.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O que diz o silêncio

Uma chegada inesperada
peito martela forte
pensamento gira veloz
boca se cala

Volta do que nunca foi
sentimento em turbilhão
passado falando com o presente
boca se cala

Memórias tatuadas
registros de quem somos
tranquilidade e medo do conhecido
boca fala

Encontro marcado
encontro esperado
ensaiado
Abraço fala

Toque sincronizado
dedos enlaces sutis
carinhos sem pedido de licença
corpo fala

Conversas de sondar
olhar de encantar
fica só o respirar
beijo fala

Surpresa
alvoroço coração
toques ao sonhos
mão fala

medo de dizer
pedido negado, atendido
tempo que não passou
olho fala

Amor na escuridão
prazer do coração
expectativa emoção
silencio!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pobres rapazes

Hoje eu vou escrever em defesa dos meninos, jovens e homens atormentados e assolados pelos tempos modernos e pela crueldade feminina.


É, eu sei que vou causar muitas indignações das minhas colegas, amigas, conhecidas, talvez até das rivais que posso ter e nem sei (pois segundo o Luca, nós sempre rivalizamos e qualquer dia destes discorro sobre este tema) e que a maioria vai ficar chateada com o que podem considerar como uma traição a classe feminina.


Então me desculpem queridas eu mas tenho de ser justa! E pra ser sincera sempre gostei muito mais do homens que das mulheres, afinal são eles que me enchem os olhos, que me dão motivos pra sonhar, pra me irritar, pra me descabelar, que me fazem querer cuidar, querer ficar mais bonita e me fazem amar, gozar... ah vamo combinar que nós não vivemos sem estas criaturas!


Vou defender mesmo! E em nome dos que já amei, dos que já me amaram e dos amigos que amo e dos primos que adoro, vou escrever este texto.


Nós mulheres lutamos pra conquistar igualdade entre os homens, que pudéssemos ser tratadas como iguais, ter acesso ao mundo que eles pertenciam, e conseguimos . Agora nossa tarefa era a de fazer com que eles participassem do que seria o nosso universo, e acabar de vez com nossos assuntos de comadres sobre o os defeitos dos homens: " Ah mas ele é tão insensível!" , " Ele nunca me ajuda com a louça!", " Eu tenho que cuidar sozinha de tudo na casa!", " Ele nunca quer conversar sobre a nossa relação!"... e tudo o que sabemos que eles não fazem do mesmo jeito que nós.


A má notícia e que nunca vão fazer como nós, porque, caso não tenham percebido eles são homens e como tal tem suas especialidades, quer sejam típicas de sua formação biológica, ou de sua formação social e cultural, portanto eles são e vão continuar sendo diferentes de nós, se não vai estar bem com isso então sugiro que namore com mulheres, tirem o bloqueio de seus chips e sejam felizes.


A boa notícia é que os nossos rapazes estão se adaptando ao nosso universo, estão mais sensíveis, aprenderam a cozinhar, já não se importam de fazer tarefas domésticas, amam seus filhos ao ponto de fazer por eles tudo que uma grande mãe faria, alguns até já aceitam o casamento com mais naturalidade, aceitam que a liberdade sexual e independência feminina, e a minha defesa vai justamente para estes novos homens sensíveis que começam a surgir.


Estes rapazes entenderam as novas configurações quanto as relações entre homens e mulheres, no entanto eles passaram a sofrer pressões inversas as que sofremos anteriormente, precisaram se sensibilisar, tornar-se mais maleáveis, só que ainda recebem a exigência de serem os provedores, os responsáveis, os machos alfa, que tem que ser fortes. Não acham isso tão cruel quanto nos dizerem que tínhamos de ser fortes como os homens, mas ainda assim tínhamos que dar conta de sermos donas de casa, mães, amantes? Não é cruel cobrarmos do outro um ser perfeito composto de todas as qualidades que queremos, de todas as habilidades que temos e ainda assim ter o melhor do que eles são, ou que devem ser?


Ora vamos dar uma colher de chá pra eles, não é fácil ter sido criado por milhões de anos para serem caçadores, valentes, e nunca demonstrarem emoções que os fizessem parecer fracos, tinham que fazer tudo financeiramente por nós, e agora perderam esta função de provedor, suas mulheres exigem que sejam sensíveis, ou seja, agora estão tão vulneráveis quanto nós, estão cheios de medos de serem rejeitados, ficam com tanto medo de ligar no dia seguinte quanto nós, também ficam esperando que liguemos pra saberem se realmente estamos tão interessadas nele como eles por nós, e acredite eles querem discutir a relação, mas a questão é se estamos realmente preparadas para aceitar e entender um homem destes em nossas vidas.


Dentro desta enorme rede de estereótipos e hierarquias que se estabeleceu socialmente, os homens foram programados para serem responsáveis por toda a iniciativa e nós a acreditarmos que só estaremos bem e amadas se eles fizerem desta forma, pois se o cara não faz assim é por que não está realmente interessado e assim mostram o valor que temos. Mas nós endurecemos, eles amoleceram, admiram mulheres independentes e fortes, mas estas estão tão exigentes que não basta que ele seja um cara ideal pra ser um bom companheiro, ele tem que ter carro, ser bem sucedido, ter a vida bem resolvida e ser tudo isso só pra atender as nossas necessidades de carência afetiva e de justificativa a sociedade de que fizemos uma boa escolha.


Ah tá! Eu sei que vão dizer que estou sendo boazinha demais com eles, e que na maioria das vezes eles são uns escrotos e nos subjugam, nos separam em classes, das mulheres que são pra casar, pra pegar, pra trepar...mas sinceramente acho que nós não somos muito diferentes disso, também separamos, escolhemos e excluímos os caras por classes, tem os que são pra uma viagem, uma paixão, os que são pobres, os feios, os burros, os velhos demais, os novos demais...seja como for também separamos.


E não estou sendo boazinha, e na verdade acho que meu discurso nem está sendo em defesa dos homens, mas sim pelo respeito e consideração que toda e qualquer pessoa merece receber pelo ser humano que é e não pelo que ele pode ou não representar na sociedade, esqueçamos o que dizem as regras, vamos olhar para o outro apenas como pessoa.


Mulheres paremos com os clichês, sejamos mais humanas com nossos homens, deixemos que sejam apenas o que são, e façamos o mesmo, nenhum nem o outro precisa fazer do outro sua fortaleza, cada um pode fazer por si o mesmo que pode fazer pelo outro. Biblicamente homem e mulher foram criados pra viverem em união e harmonia, não vamos criar uma relação
de competição, vamos usar apenas a sinceridade como arma de sedução, ok?


Quero deixar claro que esta é única e exclusivamente a minha opinião, e que a mesma não está embasada em nenhum a teoria de filósofos, ou estudiosos, ou sei lá mais o quê. portanto não me venham com cobranças. A intenção aqui é a de expressar o que penso e sinto e talvez provocar os pensamentos de outras pessoas.