
Bonecas são fofinhas ou estranhas, eu costumo ser as duas coisas. Existem aquelas com que se brinca facilmente de articulações maleáveis, do tipo que se faz necessário usar vozes de mentirinha para representar seus vocabulários, gestos e atitudes. Mas não esta aqui! Não tenho cordinhas, não digo as frases que quer ouvir e nem tão pouco tenho botão de liga e desliga, portanto se sua intenção for me reprogramar desista, pois esta função só eu mesma posso ativar. Sou uma boneca exibida e cheia de vontades. Minha estética é o que me representa e isso pra mim vale muita coisa, mas nem pense em insultar minha inteligência, pois sim! Eu tenho! Não me diga o que fazer, nem como devo me comportar, eu gosto de beber e gosto de fumar e para soltar meus demônios gosto de dançar. Esta boneca ama e se apaixona perdidamente, quase sempre por cegos imcapazes de enxergar a mulher espetacular que sou. Fico melancólica e transformo tudo em arte, e logo que expurgo minhas dores e culpas, deixo que as lágrimas sequem e me rebelo contra toda e qualquer razão de tristeza. Tudo que esta boneca mais odeia na vida é não ter controle sobre seus sentimentos, e sinto uma raiva absurda de mim mesma, mas quando isso acontece torno-me tola e dona de uma mentirosa soberba somente para evitar que se descubra tal sentir. Como vê esta boneca tem manual, mas vai ter paciência de ler o resto?
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